
"Ali estava eu: a cereja de um bolo chamado fragilidade. Eu sabia que não tinha mais idade para ficar chorando o dia todo, mas não resisti às primeiras horas e como uma criança, chorei.
“Nenhuma boca soube me lamber como a sua, meu caro”.
Era isso. Exatamente isso que eu queria dizer a você. Vestida de cereja, ainda que de um “creme de fragilidade”.
Outras bocas tentaram! De mim queriam pedaços! Queriam apenas o que em mim há de efêmero: o sabor! Que prazer há em mastigar o que se deseja? Que cereja satisfará a gula dos olhos que não lêem perfumes?
Você não! Você tem mãos de lavrador...
Tem olhos de cão do mato, cão farejador.
O “creme de fragilidade” que ampara a minha queda de fruta é apenas mais uma ilusão que você delicadamente me permite ter.
Você sabe que não há creme e que o destino de toda fruta madura é chegar ao chão.
Você me permite esse engano e é por isso que eu te amo tanto!!
...
E quando tudo acabava, em silêncio, a doçura dos seus olhos me fazia compota ... Depois adormecíamos juntos, calda e fruto, certos de que nada importa mais do que a beleza daquilo que não podemos entender...
... e sigo o meu destino de ser fruta madura, ainda que “creme de fragilidade”."
Tânia Lima
Nenhum comentário:
Postar um comentário