terça-feira, 4 de janeiro de 2011


"Sou Livre. Por isso, nada mais é necessário porque nada é tão preciso. Não existe mais busca, não haverá posse nesse território que habito a partir de mim mesmo. Nada tenho que possa perder, nada existe que queira ganhar. Sou um produto do meu próprio trigo, sou o gume da minha própria faca, o verso da minha própria poesia, a fantasia do meu espírito em repouso. Sou meu movimento, meu ócio, meu verbo, meu Deus. Minha pátria, minha religião, meu partido, meu clã. Sou minha saudade e minha ausência de suspiros. Sou a sorte que sustenta meu corpo, o sonho enlouquecido da minha alma, a porta que se abre sobre si, a paisagem, a luz e o olho. Sou a morte do ontem, e a Vida que chega. E que basta. Naturalmente.

E como nada existe além do que eu perceba, nada mais preciso do que a incerteza que se faz presente, nada me interessa além do que me toca o coração, nada mais urgente que ser máximo, nada mais gostoso do que ser a própria gostosura, nada mais humano do que essa divina alma desejante acalmada, saciada por ter sido e estar sendo ela mesma e nada mais. Nada me falta, nada me sobra, sou agora a exata medida de todas as coisas, um conjunto vazio, um mestre discípulo de Si, um barco sem destino navegando numa breve eternidade, um verdadeiro Himalaia de razões. Sou portanto o pico de mim mesmo."

Edson Marques

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